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Monstros... Monstros por toda parte...
Eles povoam a nossa imaginação. Ocultam se sob nossas camas. Rastejam nos obscuros
recessos de nosso inconsciente primitivo. Não há fuga, não há refúgio a — coisa vai pegar você. A Besta, o aniquilador,
o Lusus Natura. O que é? Por que o tememos? Qual é o seu nome? Sempre tivemos nossos demônios. Há muito inflamam imaginação
romântica de sacerdotes e poetas. Houve um tempo em que os denominamos Trolls; depois foram chamados de Diabos, e então vieram
as Bruxas misturando poções maléficas em seus caldeirões. Ainda mais tarde, dizia-se que o Monstro era o Lobo Mau, o Bicho
Papão, o Godzilla do terror da Guerra Fria. Por fim, alguns chamaram- no de intolerância e boçalidade. Durante algum tempo
tentaram convencer-nos de que monstros não existem, que tudo no universo tinha, ou logo viria a ter, uma explicação racional.
Mas agora sabemos a verdade. Reatamos nossas relações com a Besta. Aprendemos o seu verdadeiro nome. Agora compreendemos a
dimensão da eternidade, sua infinitude inimaginável, sua estrutura caótica e a insignificância de nossa própria existência.
Agora admitimos a magnitude dos problemas que enfrentamos e a nossa aparente incapacidade de gerar mudanças na escala necessária
para salvar-nos Tivemos um lampejo da realidade e enxergamos a verdade por trás do véu. Fechamos o círculo e redescobrimos
o Demônio. Recuperamos nossa Herança ancestral. Achamos aquilo a que concedemos tantos nomes — a fonte de nosso
terror mortal. Descobrimos o inimigo... e somos nós.
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